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PEDAGOGIA INCLUSIVA DA INFÂNCIA
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            Os pais geralmente contam que reconhecer que seu filho é autista foi a coisa mais traumática que já lhes aconteceu. As pessoas não autistas veem o Autismo como uma grande tragédia, e os pais experimentam um contínuo desapontamento e luto em todos os estágios do ciclo de vida da família e da criança.

Mas este pesar não diz respeito diretamente ao autismo da criança. É um luto pela perda da criança normal que os pais esperavam e desejavam ter, as expectativas e atitudes dos pais e as discrepâncias entre o que os pais esperam das crianças numa idade particular e o desenvolvimento atual de seu próprio filho causam mais estresse e angústia que as complexidades práticas da convivência com uma pessoa autista.
 Uma certa quantidade de dor é normal, até os pais se ajustarem ao fato de que o resultado e o relacionamento que eles estavam esperando não vai se materializar. Mas esta dor pela criança normal fantasiada precisa ser separada da percepção da criança que eles realmente têm.
A criança autista que precisa de adultos cuidadosos, pode obter um relacionamento muito significativo com essas pessoas que cuidam dela, se lhes for dada a oportunidade. Atentar continuamente para o Autismo da criança como a origem da dor é prejudicial tanto para os pais como para a criança e impede o desenvolvimento de uma aceitação e de um relacionamento autêntico entre eles. Em consideração a eles próprios ou à suas crianças, eu conclamo os pais a fazerem mudanças radicais nas suas opiniões sobre o que o Autismo significa.
Eu convido vocês a olharem para o nosso autismo e olharem para o seu luto sob a nossa perspectiva .
O Autismo não é um apêndice. O autismo não é algo que uma pessoa tenha, ou uma concha na qual ela esteja presa. Não há nenhuma criança normal escondida por trás do Autismo. O Autismo é um jeito de ser, é pervasivo, colore toda experiência, toda sensação, percepção, pensamento, emoção e encontro; todos os aspectos da existência. Não é possível separar o Autismo da pessoa. E se o fosse, a pessoa que você deixaria não seria a mesma com a qual você começou.
Isto é importante, então, tire um momento para considerar que : Autismo é um jeito de ser. Não é possível separar a pessoa do Autismo.
Por conseguinte, quando os pais dizem: "Gostaria que meu filho não tivesse Autismo". O que eles realmente estão dizendo é: "Gostaria que meu filho autista não existisse, e eu tivesse uma criança diferente em seu lugar".
Leia isto novamente. Isto é o que ouvimos quando vocês lamentam por nossa existência. É o que percebemos quando vocês nos falam de suas mais tenras esperanças e sonhos para nós: que seu maior desejo é que, um dia, nós deixemos de ser, e os estranhos que vocês possam amar vão surgir detrás de nós.
Autismo não é uma parede impenetrável.
Você tenta falar com seu filho autista e ele não responde. Ele não te vê. Você não consegue alcançá-lo. Não há adentramento. É a coisa mais difícil de lidar, não é? A única coisa é que isso não é verdade.
Veja novamente: você tenta falar como pai de uma criança, usando seu próprio entendimento de uma criança normal, seus próprios sentimentos sobre relacionamentos. E a criança não responde de forma que você possa reconhecer como sendo parte desse sistema.
Isso não significa que a criança esteja totalmente incapacitada para se relacionar. Só significa que você está assumindo um sistema compartilhado, um entendimento compartilhado de sinais e significações do qual a criança em questão não participa.
É como se você tentasse ter uma conversa íntima com uma pessoa que não tem compreensão de sua linguagem. É óbvio que a pessoa cuja linguagem não vai entender o que você está falando; não vai responder da forma que você espera; e pode mesmo achar confusa e desprazeirosa toda a interação.
Dá mais trabalho se comunicar com uma pessoa cuja linguagem não é a nossa. E o Autismo vai mais fundo que a linguagem e a cultura. Os autistas são estrangeiros em quaisquer sociedades. Você vai ter que abrir mão de toda a sua apropriação de significados compartilhados. Você vai ter que aprender a voltar a níveis mais básicos, sobre os quais provavelmente você nunca tenha pensado, vai ter que abandonar a certeza de estar em seu próprio território familiar de conhecimento, do qual você está a serviço e deixar seu filho lhe ensinar um pouco de sua linguagem, guiá-lo um pouco para dentro de seu mundo.
Mesmo que você tenha sucesso, ainda não será um relacionamento normal entre pai e filho. Sua criança autista pode aprender a falar, pode ir para séries regulares na escola, pode ir à Universidade, dirigir um carro, viver independentemente, ter uma carreira, mas nunca vai conversar com você como outras crianças conversam com seus pais. Ou, sua criança autista pode nunca falar, pode passar de uma sala de educação para programas de oficina protegida, ou residências especiais, podem precisar por toda a vida de cuidado e supervisão de tempo integral - mas essa tarefa não está completamente fora do seu alcance. As formas que relatamos aqui são diferentes. Levam para coisas que suas expectativas dizem que são normais, e você vai encontrar frustração, desapontamento, ressentimento, talvez até raiva e ódio. Aproxime-se respeitavelmente, sem preconceitos e com abertura para aprender novas coisas, e você vais encontrar um mundo que nunca poderia ter imaginado.
Sim, isto dá mais trabalho que falar com uma pessoa não autista. Mas pode ser feito - a não ser que as pessoas não autistas estejam muito mais limitadas que nós em sua capacidade de se relacionar. Levamos a vida inteira fazendo isso. Cada um de nós que aprende a falar com vocês, cada um de nós que funciona bem na sua sociedade, cada um de nós que consegue alcançar e fazer um contato com vocês está operando em um território estranho, fazendo contato com seres alienígenas. Passamos a nossa vida inteira fazendo isso. E então, vocês vêm nos dizer que não podemos falar.
Autismo não é morte.
Certo, o autismo não é o que muitos pais esperam e se preparam quando antecipam a chegada de uma criança. O que esperam é que uma criança vai parecer com eles, vai pertencer ao seu mundo e falar com eles sem um treinamento intensivo para um contato alienígena. Até se a criança tem alguns distúrbios diferentes do Autismo, os pais esperam estarem aptos a falarem com ela de modo que pareça normal para eles, e na maioria dos casos, mesmo considerando a variedade de distúrbios, é possível formar um tipo de laço que os pais têm estado almejando.
O que acontece é que se esperava uma coisa que era extremamente importante e desejada com grande contentamento e excitação, e talvez, gradualmente, talvez abruptamente, teve-se de reconhecer que a coisa almejada não aconteceu. Nem vai acontecer. Não importa quantas crianças normais você tenha, nada vai mudar o fato de que agora, a criança que você esperava, desejada, planejada e sonhada, não chegou .
É parecido com a experiência parental de ter, por pouco tempo, uma criança recém-nascida e esta morrer logo na infância.
 Não se trata de Autismo, mas de expectativas cortadas. Sugiro que o melhor lugar para direcionar estes assuntos não seja as organizações voltadas para o Autismo, mas no aconselhamento das aflições parentais e grupos de apoio. Nesses espaços eles aprendem a dar termo à sua perda - não esquecê-la, mas deixar no passado, onde o luto não bate mais no seu rosto a todo o momento da vida. Aprendem a aceitar que sua criança se foi para sempre e que não voltará mais. O mais importante é que aprendam a não trazer seu luto para as crianças que vivem. Isto é de importância fundamental, quando estas crianças chegam ao mesmo tempo em que a outra está sendo lamentada pela sua morte.
Não se perde uma criança para o Autismo. Perde-se uma criança porque a que se esperou nunca chegou a existir. Isso não é culpa da criança autista que, realmente, existe e não deve ser o nosso fardo.
Nós precisamos e merecemos famílias que possam nos ver e valorizar por nós mesmos, e não famílias que têm uma visão obscurecida sobre nós por fantasmas de uma criança que nunca viveu.
Chore por seus próprios sonhos perdidos se você precisa. Mas não chore por nós. Estamos vivos. Somos reais. Estamos aqui esperando por  você .
É o que acho sobre como as sociedades sobre autismo devem ser: sem lamentações sobre o que nunca houve, mas deve haver explorações sobre o que é. Precisamos de você. Precisamos de sua ajuda e entendimento. Seu mundo não está muito aberto para nós e não conseguiremos se não tivermos um forte apoio.
Sim, o que vem com o Autismo é uma tragédia: não pelo que somos, mas pelas coisas que acontecem conosco. Fique triste com isso se quiser ficar triste com alguma coisa! Melhor que ficar triste com isso é ficar louco com isso - e então faça alguma coisa. A tragédia não é porque estamos aqui, mas porque o seu mundo não tem lugar para que nós existamos.
Como pode ser de outra forma,               se nossos próprios pais ainda se lamentam por nos terem trazido para este mundo ?
Olhe, alguma vez, para o seu filho autista e tire um momento para dizer para si mesmo quem aquela criança não é.
Pense: "Essa não é a criança que esperei e planejei. Não é aquela que fiz todos aqueles planos e dividi todas aquelas experiências. Aquela criança nunca veio. Não é esta criança". Então vá fazer do seu luto, não importa o que - e comece a aprender a deixar as coisas acontecerem.
Depois que você começar a deixar as coisas acontecerem, volte e olhe para o seu filho autista novamente: "Esta criança não é a que eu esperava e planejava. É uma criança alienígena que caiu em minha vida por acidente. Não sei o que é essa criança ou o que vai ser. Mas sei que é uma criança naufragada num mundo estranho, sem pais com formas próprias de cuidado. Precisa de alguém com cuidados para isso, para ensinar, para interpretar e para defender. E devido a essa criança alienígena cair na minha vida, esse trabalho é meu, se eu quiser”.
Se esta busca te excita, então nos acompanhe, na resistência e na determinação, na esperança e na alegria. A aventura de uma vida está toda diante de você.

JIM SINCLAIR.
Sobre o autor:
Jim Sinclair foi diagnosticado com autismo, atualmente, é um ativista dos direitos de pessoas com autismo.  Nasceu em dezembro de 1961, no Texas, EUA. Tem formação universitária em psicologia e é especialista em desenvolvimento infantil e processos de reabilitação. Na década de 90, participou da criação de um dos primeiros grupos formados por autistas, a Autism Network International (ani.autistics.org). O discurso acima foi dirigido especialmente aos pais, na Conferência Internacional de Autismo, em Toronto.
 






Fonte: johannaterapeutaocupacional.blogspot

O desenvolvimento humano carece de um processamento adequado das informações que nos chegam através dos sentidos (tato, olfato, visão, audição, paladar, sistema vestibular e proprioceptivo). A integração dos múltiplos sentidos nos permite uma representação coerente do mundo, de modo sistemático e organizado.

Pessoas que se encontram dentro do espectro autista apresentam algum tipo de desconforto ou transtorno sensorial, em menor ou maior grau. O que em cada sujeito vai se manifestar de um modo particular. Conhecer esse aspecto do transtorno nos permitirá usar as estratégias adequadas de modo a promover, além do bem estar, o desenvolvimento e a aprendizagem de crianças com autismo.

“Algumas crianças são hipersensíveis quanto à recepção de informações sensoriais. Por exemplo, crianças relatam serem capazes de ouvir conversas ou o som de móveis sendo arrastados em outros prédios. Outras crianças são tão sensíveis ao estímulo táctil (toque) que não toleram a sensação da etiqueta em suas camisetas. Por outro lado, algumas crianças aparentam ser hipossensíveis a estímulos sensoriais, ou seja, são pouco sensíveis e necessitam de uma maior intensidade de estímulo para que este seja percebido. Como exemplo, algumas crianças buscam a sensação de intensa pressão ao serem massageadas ou ao serem firmemente enroladas em pesados cobertores. Pesquisadores com Judith Bluestone (Instituto HANDLE, em Seattle, EUA), apontam para a possibilidade da hiposensibilidade ser na verdade uma hipersensibilidade ao extremo, o que levaria a pessoa a bloquear totalmente uma determinada sensação.”(http://www.inspiradospeloautismo.com.br/o-que-e-autismo/integracao-sensorial-para-autismo)

Fonte: http://johannaterapeutaocupacional.blogspot.com.br/2010/10/processamento-sensorial.html



TÉCNICAS DE ACOMODAÇÃO SENSORIAL ÚTEIS PARA O DIA-A-DIA


          Acomodação proprioceptiva - Ofereça lugares pequenos e aconchegantes para a criança como casinhas de boneca, cabanas, ou até mesmo caixas grandes. Um cantinho cheio de almofadas, um puff grande, colchão ou foutton também servem. 

Use coletes pesados, cobertores pesados, cobertas mais pesadas para oferecer momentos de tranquilidade e calma.

 Um saco de dormir ajuda a acalmar.  Integre a criança nas atividades pesadas da casa: carregar as compras, colocar o lixo            pra fora, pendurar roupa no varal, guardar roupas, arrumar compras no armário, molhar plantas com um regador pesado.

Acomodação auditiva - Use objetos como tapetes, cortinas e almofadas para absorver o ruído exterior e o eco.  Crianças com ouvidos muito sensíveis devem ter seu quarto posicionado no local mais calmo da casa. Cuidado com sons altos de telefone, campainha, televisão e rádio. 

Acomodação visual - Use cortinas grossas ou blackouts para diminuir a intensidade da luz          natural ou artificial vinda do exterior da casa. Minimize a bagunça visual guardando a maioria dos brinquedos em caixas. Dê atenção especial para a iluminação da casa com quantidade e intensidade adequada. Use abajoures ou luzes refletidas na parede se a iluminação for um grande problema. Pinte as paredes com cores suaves e evite muitos objetos ou quadros. Se a sua criança ao contrário, precisar de muito estímulo, pinte o seu quartos com cores claras e vibrantes e pendure alguns móbiles. Acomodação visual. Tenha um armário específico para os brinquedos e organizados de forma fácil para você e ele.

         Acomodação visual e auditiva - Diminua o estímulo visual e auditivo para prevenir distrações. 
                Acomodação motora - Use timers para sinalizar o início e final de uma atividade.
           
              Acomodação vestibular - Pendure uma rede ou balanço em algum lugar tranquilo da casa ou coloque um balanço no jardim.

             Acomodação vestibular e proprioceptiva - Um colchão d'água ou colchão de ar pode ser tranquilizante.


Outras estratégias para estruturar a rotina diária:

- Use pistas visuais para ajudar no cumprimento de tarefas.

- Use uma agenda ou quadro de tarefas para informar o que vai acontecer a cada dia (com imagens ou foto da própria criança realizando a atividade).

- Quebre a atividade em pequenos passos para facilitar o entendimento e dê tempo para que ela processe a informação.

 Ex: ao invés de dizer: pegue as roupas e coloque no cesto, dê a 1ª ordem e somente depois dela pegar as roupas é que você pede para colocá-las no cesto.

- Estabeleça rotinas e cumpra-as. Isto ajuda a criança a saber o que virá pela frente e a manterá calma. Quando é necessário haver quebra na rotina, avise-a antes e dê as pistas visuais.

- Prepare o dia da escola na noite anterior: separe a roupa, sapatos e lanche com antecedência para poupar tempo e evitar estresse.

- Se a sua criança não atende pelo nome, use o toque para ajudá-la.

- Sempre que possível use pistas visuais para tudo.

- Aprecie a companhia um do outro!!!

Fonte: http://claumarcelino.blogspot.com.br/2011/10/acomodacoes-sensoriais-para-o-ambiente


           A experiência escolar para qualquer criança é cercada de muitos desafios. Especialmente para as que convivem com limitações, sejam elas neuromotoras, físicas, sensoriais, neurobiológicas ou de natureza comportamental. 


Aula passeio no Teatro Amazonas/2013
          Crianças com TEA (transtorno do espectro autista) são crianças que também necessitam de encorajamento. No trabalho clínico realizado com estas crianças é visível como o encorajamento tem o poder de alavancar o seu desenvolvimento. 

          Toda a atividade que a criança consegue completar é comemorada, com palmas ou elogios ao seu desempenho. Percebemos que este gesto deixa as crianças mais autoconfiantes. Estas passam a acreditar mais em suas capacidades e sentem-se mais dispostas a iniciar qualquer atividade, porque se sentem seguras de si.

Aula passeio: uma aula diferente e prazerosa
          Por outro lado, precisamos ter consciência do poder de nossas atitudes. Nossas crianças percebem quando acreditamos em suas capacidades; isso lhes dá segurança para tentar. Pois sabem que contarão com nosso apoio e afeto. 

          Educar crianças exige sensibilidade, paciência e persistência.

Ser crianças é ser feliz

          Muitos educadores desistem logo no início. Não se sentem desafiados a tentar de outra forma; e quantas vezes forem necessárias. Se uma estratégia não está dando certo, precisamos repensá-las. Como também, outras formas de estimular nossas crianças devem ser testadas. Às vezes, são nessas tentativas e na pesquisa que encontramos a resposta. A nossa persistência irá contaminá-las. Elas perceberão que vale a pena continuar insistindo.

          Tenho na clínica um pote com confeitos coloridos e os utilizo, também, para encorajar as crianças e parabenizá-las pelo esforço. Eles são em formato de coração. E, sempre que concluem toda a atividade recebem um ou mais, e ficam muito satisfeitas e felizes. É fato que existem as que não gostam, mas só de saber que o mereceram ficam bastante felizes.

Ensina a criança no caminho em que deve andar e jamais se desviará dele.
           
          No trabalho diário, seja na clínica ou na escola, não estamos apenas encorajando nossas crianças a melhorar o desempenho escolar. Estamos ao mesmo tempo incutindo-lhes valores e princípios que farão parte de sua personalidade. É possível que haja mais acréscimos e ganhos em termos emocionais do que, propriamente, cognitivos. O que podemos mensurar pela mudança de comportamento, a partir da aquisição de valores éticos e morais. Um aspecto que considero o mais relevante de todos.  Pois os prepara para a vida e os desafios que esta esconde.

Na criança reside o germe da humanidade.

          Sabemos da violência que ainda existe no ambiente escolar e que se manifesta através do bullying. Nossas crianças com deficiência são, na maioria das escolas, vítimas deste mal. Possivelmente, se nos preocupássemos mais com a formação dos valores morais no sujeito, veríamos surgir um ambiente mais acolhedor e tolerante para todos.
           
        Portanto, incentivar e encorajar atitudes éticas e morais são de extrema relevância, se pretendemos construir, através da educação, uma sociedade mais humana e solidária.

Sobre pesquisa realizada a respeito do poder do elogio basta acessar em: .http://www.justrealmoms.com.br/elogie-seu-filho-do-jeito-certo/

Uma ótima leitura,
Beijos!!!




          O desenvolvimento humano é um processo contínuo. Tem início no nascimento e se prolonga por toda a vida. Um processo que nem sempre é linear e ocorre em vários campos da existência humana, ou seja, nos campos: afetivo, social, cognitivo e motor, dentre outros. 

Contação de história no powerpoint - EAMAAR/Manaus - AM

          Destacando que tal processo não é meramente biológico, mas, sobretudo, social e histórico. Já que o ambiente cultural no qual está inserido o sujeito é fortemente decisivo no percurso do seu desenvolvimento. Em crianças que apresentam o TEA (transtorno do espectro autista) a influência do ambiente social determinará o êxito no desenvolvimento de suas habilidades e competências, dependendo da qualidade das intervenções realizadas, tanto no espaço clínico quanto institucional


Estímulo visando a aquisição da linguagem escrita

           Tendo em vista as perturbações causadas pelo autismo, crianças com TEA apresentarão peculiaridades em seu desenvolvimento fugindo aos padrões e características de desenvolvimento identificadas em crianças que não apresentam o transtorno. 

             Crianças com autismo podem apresentar mutismo, ou seja, ausência de fala, embora sejam capazes de escutar e se expressar de outras formas. Podem apresentar, também, atraso no desenvolvimento motor. Como também, podem inicialmente desenvolver a fala e por razões desconhecidas deixam de falar, subitamente. Algumas apresentam um desenvolvimento motor atípico. Desenvolvendo estereotipias, como andar nas pontas dos pés, rodopiar, balançar as mãos, pular, balançar o tronco, há os que se fixam em objetos giratórios. Movimentos que, provavelmente, produzem um alívio gerado por algum tipo de desconforto.


Desenvolvimento da coordenação motora e letra cursiva

              O atendimento psicopedagógico levará em conta àquelas características que de alguma forma podem afetar o processo de aprendizagem do sujeito com autismo, assim como, o seu desenvolvimento global. 

                Para tanto, as intervenções deverão priorizar a melhora do conjunto de sintomas do autismo, considerando as áreas afetadas, tais como a comunicação e a linguagem, considerando que as dificuldades de linguagem interferem significativamente na comunicação social e, consequentemente, no desempenho escolar.

Estimulando o desenvolvimento das percepções e atenção.

            Outro aspecto importante refere-se à melhora na capacidade de interação social. De modo que a criança com autismo deve ser, constantemente, estimulada a interagir, de modo a estabelecer com seus pares trocas sociais e afetivas.

             O processo de inclusão educacional deve, portanto, considerar a importância do engajamento destas crianças no ambiente escolar, envolvendo-a na dinâmica educativa, evitando-se com isso a segregação e o isolamento social. 


Desenvolvendo o senso estético e a motricidade.

         No entanto, a oferta de estímulos deve considerar, inicialmente, os interesses e até certas fixações por determinadas atividades e/ou objetos como ponto de partida para o desenvolvimento de sua aprendizagem, sendo que, gradativamente, deve-se buscar ampliar o seu leque de interesses, de modo a enriquecer suas experiências, promovendo o desenvolvimento de novas competências e habilidades, tanto no âmbito escolar como no clínico. 

            Lembrando sempre, que estas crianças necessitam de uma rotina pedagógica e doméstica bem estruturada e previsível. Com objetivos claros e bem definidos.Sempre na perspectiva de promover ao máximo o seu engajamento social e afetivo, tendo em vista o seu desenvolvimento pleno, apesar de suas limitações.



Imagem do pôr do Sol na Ponta Negra em Manaus/AM

          Trabalhar no atendimento à crianças e adolescentes com autismo é, simplesmente, uma grande viagem. É navegar por mares nunca dantes navegados, ao sabor do inesperado, do que é misterioso e, igualmente, encantador e prazeroso. Por isso, peço licença para citar Martha Medeiros, que traduz o que significa para mim esta viagem:
 
       “ Viajar é transportar-se sem muita bagagem para melhor receber o que as andanças têm a oferecer (...) é despir-se de si mesmo, dos hábitos cotidianos, das realidades previsíveis, da rotina imutável, e renascer virgem e curioso, aberto ao que lhe vai ser ensinado (...) Viajar é olhar para dentro e desmascarar-se (...) Viajar requer liberdade para arriscar (...) Viajando você é reinventado (...) Sair de casa é a oportunidade de sermos estrangeiros e independentes, e essa é a chave para aniquilar tabus. A maioria de nossos medos é herdada. Viajando é que descobrimos nossa coragem e atrevimento, nosso instinto de sobrevivência e conhecimento. Viajar minimiza preconceitos.” 


Obra de arte de uma criança com autismo com peças de tangran


       




                 Atualmente, um dos aspectos que considero mais polêmico no que se refere ao Autismo são as questões relacionadas ao seu diagnóstico. Sabemos que pelo fato de não existirem marcadores biológicos, o diagnóstico é clinico e se baseia na observação do comportamento, aliado ao histórico familiar.
                  A atual referência para o diagnóstico é o DSM  V, que destaca dois critérios básicos para o diagnóstico:
                  1)  Déficits na comunicação e interação social;
                  2)  Atividades e comportamentos restritos e repetitivos; 

          E, de acordo com a literatura, esse diagnóstico deve ser realizado por uma Equipe Multidisciplinar.

          No entanto, é justamente aqui que se iniciam as polêmicas. Considerando que muitos profissionais estão diagnosticando, apressadamente, num curto espaço de tempo, crianças e adolescentes, de modo equivocado. Baseando-se, muitas vezes, apenas, na queixa apresentada pelos pais, sem considerar a opinião de outros profissionais que também as atendem, em particular, pedagogos e psicopedagogos.

                 Como resultado deste equívoco, crianças que não apresentam as características acima, estão sendo diagnosticadas com Autismo, em muitos casos, quando apresentam  sinais de outros transtornos e/ou deficiências. Tendo, assim, suas vidas afetadas, considerando que estão deixando de receber o atendimento especializado do qual necessitam para se desenvolver de modo adequado, assim como, o suporte técnico e a atenção devida.

                      Alguns médicos pediatras, não se sabe se por falta de especialização, não são capazes de identificar os sinais que apontam para uma determinada deficiência, de modo que, precocemente,  as crianças possam ser assistidas no que se refere ao atendimento de suas demandas. 

                         A capacidade e a qualificação daqueles que trabalham no atendimento à pessoas com autismo e outras deficiências, resulta de muita convivência e empatia com este público. É mister desenvolver a sensibilidade do olhar e do sentir. É preciso não ser indiferente. 

                         É preciso, fundamentalmente, desenvolver a humildade para reconhecer suas próprias limitações, no sentindo de buscar conhecer mais sobre o assunto e estar aberto a um diálogo com profissionais que atuam em outras áreas, para que possamos buscar juntos respostas para as questões que nos inquietam e que, ainda, são para nós um enigma. 
                          
                        À medida que aumenta o compromisso com este público no sentido de lhes oferecer através do atendimento de suas demandas uma qualidade de vida melhor, estaremos mais aptos a fazer por eles o que deve ser feito de modo a lhes garantir o direito à vida e a dignidade humana.



.

 


Ellen Nottohm
(tradução livre - Andréa Simon) 
  
1) Antes de tudo eu sou uma criança. 
 
Eu tenho Autismo. Eu não sou somente "Autista". O meu autismo é só um aspecto do meu carácter. Não me define como pessoa. Você é uma pessoa com pensamentos, sentimentos e talentos. Ou você é somente gordo, magro, alto, baixo, míope. Talvez estas sejam algumas coisas que eu perceba quando conhecer você, mas isso não é necessariamente o que você é. Sendo um adulto, você tem algum controle de como se auto define. Se quer excluir uma característica, pode se expressar de maneira diferente. Sendo criança eu ainda estou descobrindo. Nem você ou eu podemos saber do que eu sou capaz. Definir-me somente por uma característica, acaba-se correndo o risco de manter expectativas que serão pequenas para mim. E se eu sinto que você acha que não posso fazer algo, a minha resposta naturalmente será: Para que tentar?





2) A minha percepção sensorial é desordenada.
Interação sensorial pode ser o aspecto mais difícil para se compreender o autismo. Quer dizer que sentidos ordinários como audição, olfato, paladar, toque, sensações que passam desapercebidas no seu dia-a-dia podem ser dolorosas para mim. O ambiente em que eu vivo pode ser hostil para mim.
Eu posso parecer distraído ou em outro planeta, mas eu só estou tentando me defender. Vou explicar o porquê uma simples ida ao mercado pode ser um inferno para mim: a minha audição pode ser muito sensível. Muitas pessoas podem estar falando ao mesmo tempo, música, anúncios, barulho da caixa registradora, telemóveis tocando, crianças chorando, pessoas tossindo, luzes fluorescentes. O meu cérebro não pode assimilar todas estas informações, provocando em mim uma perda de controle.
O meu olfato pode ser muito sensível. O peixe que está à venda na peixaria não está fresco; a pessoa que está perto pode não ter tomado banho hoje; o bebê ao lado pode estar com uma fralda suja; o chão pode ter sido limpo com amônia. Eu não consigo separar os cheiros e começo a passar mal. Porque o meu sentido principal é o visual. Então, a visão pode ser o primeiro sentido a ser superestimulado. A luz fluorescente não é somente muito brilhante, ela pisca e pode fazer um barulho. O quarto parece pulsar e isso machuca os meus olhos. Esta pulsação da luz cobre tudo e distorce o que estou vendo. O espaço parece estar sempre mudando. Eu vejo um brilho na janela, são muitas coisas para que eu consiga me concentrar. O ventilador, as pessoas andando de um lado para o outro... Tudo isso afeta os meus sentidos e agora eu não sei onde o meu corpo está neste espaço. 




3) Por favor, lembre de distinguir entre não querer (eu não quero fazer) e eu não posso (eu não consigo fazer)
 Receber e expressar a linguagem e vocabulário pode ser muito difícil para mim. Não é que eu não escute as frases. É que eu não te compreendo. Quando você me chama do outro lado do quarto, isto é o que eu escuto "BBBFFFZZZZSWERSRTDSRDTYFDYT João". Ao invés disso, venha falar comigo diretamente com um vocabulário simples: "João, por  favor, coloque o seu livro na estante. Está na hora de almoçar". Isso me diz o que você quer que eu faça e o que vai acontecer depois. Assim é mais fácil para compreender. 
 
4) Eu sou um "pensador concreto" (CONCRETE THINKER).
O meu pensamento é concreto, não consigo fazer abstrações. Eu interpreto muito pouco o sentido oculto das palavras. É muito confuso para mim quando você diz "não enche o saco", quando o que você quer dizer é "não me aborreça". Não diga que "isso é moleza, é mamão com açúcar" quando não há nenhum  mamão com açúcar por perto e o que você quer dizer é que isso é algo fácil de fazer.
Gírias, piadas, duplas intenções, paráfrases, indiretas, sarcasmo eu não compreendo. 


5) Por favor, tenha paciência com o meu vocabulário limitado.
Dizer o que eu preciso é muito difícil para mim, quando não sei as palavras para descrever o que sinto. Posso estar com fome, frustrado, com medo e confuso, mas agora estas palavras estão além da minha capacidade, do que eu possa expressar. Por isso, preste atenção na linguagem do meu corpo (retração, agitação ou outros sinais de que algo está errado).
Por outro lado, posso parecer como um pequeno professor ou um artista de cinema dizendo palavras acima da minha capacidade na minha idade. Na verdade, são palavras que eu memorizei do mundo ao meu redor para compensar a minha deficiência na linguagem. Por que eu sei exatamente o que é esperado de mim como resposta quando alguém fala comigo. As palavras difíceis que de vez em quando falo pode vir de livros, TV, ou até mesmo serem palavras de outras pessoas. Isto é chamado de ECOLALIA. Não preciso compreender o contexto das palavras que estou usando. Eu só sei que devo dizer alguma coisa.
  
 6) Eu sou muito orientado visualmente porque a linguagem é muito difícil para mim.
Por favor, mostre-me como fazer alguma coisa ao invés de simplesmente me dizer. E, por favor, esteja preparado para me mostrar muitas vezes. Repetições consistentes ajudam-me a aprender. Um esquema visual ajuda-me durante o dia-a-dia. Alivia-me do stress de ter que lembrar o que vai acontecer. Ajuda-me a ter uma transição mais fácil entre uma atividade e outra. Ajuda-me a controlar o tempo, as minhas atividades e alcançar as suas expectativas. Eu não vou perder a necessidade de ter um esquema visual por estar crescendo. Mas o meu nível de representação pode mudar. Antes que eu possa ler, preciso de um esquema visual com fotografias ou desenhos simples. Com o meu crescimento, uma combinação de palavras e fotos pode ajudar mais tarde a conhecer as palavras. 

7)  Por favor, preste atenção e diga o que eu posso fazer ao invés de só dizer o que eu não posso fazer.
Como qualquer outro ser humano não posso aprender em um ambiente onde sempre me sinta inútil, que há algo errado comigo e que preciso de "CONSERTO". Para que tentar fazer alguma coisa nova quando sei que vou ser criticado?
 Procure identificar o meu potencial e você vai encontrar muitos! Terei mais que uma maneira para fazer as coisas. 


 8) Por favor, me ajude com as interações sociais.
Pode parecer que não quero brincar com as outras crianças no parque, mas algumas vezes simplesmente não sei como começar uma conversa ou entrar na brincadeira.
Se você pode encorajar outras crianças a me convidarem a jogar futebol ou brincar com carrinhos, talvez eu fique muito feliz por ser incluído. Eu sou melhor em brincadeiras que tenham atividades com estrutura começo-meio-fim.
Não sei como "LER" expressão facial, linguagem corporal ou emoções de outras pessoas. Agradeço se você me ensinar como devo responder socialmente. Exemplo: Se eu rir quando Sandra cair do escorrega não é que eu ache engraçado. É que eu não sei como agir socialmente. Ensine-me a dizer: "você esta bem?". 
 
 9) Tente encontrar o que provoca a minha perda de controle.
Perda de controle, "chilique", birra, má-criação, escândalo, como você quiser chamar, eles são mais horríveis para mim do que para você. Eles acontecem porque um ou mais dos meus sentidos foi estimulado ao extremo.
Se você conseguir descobrir o que causa a minha perda de controle, isso poderá ser prevenido - ou até evitado. Mantenha um diário de horas, lugares pessoas e atividades. Você encontrará uma sequência;  pode parecer difícil no começo, mas, com certeza, vai conseguir. Tente lembrar que todo comportamento é uma forma de comunicação. Isso dirá a você o que as minhas palavras não podem dizer: como eu sinto o meu ambiente e o que está acontecendo dentro dele. 

10) Se você é um membro da família me ame sem nenhuma condição.
Elimine pensamentos como  "Se ele pelo menos pudesse…" ou "Porque ele não pode…" Você não conseguiu atender a todas as expectativas que os seus pais tinham para você e você não gostaria de ser sempre lembrado disso. Eu não escolhi ser autista. Mas lembre-se que isto está acontecendo comigo e não com você. Sem a sua ajuda as minhas hipóteses de alcançar uma vida adulta digna serão pequenas. Com o seu suporte e guia, a possibilidade é maior do que você pensa. 
Atividade de intervenção pedagógica no EAMAAR (Manaus/AM)

Eu prometo: EU VALHO A PENA.
 
         E, finalmente, três palavras mágicas: Paciência, Paciência, Paciência. 
Ajude a ver o meu autismo como uma habilidade diferente e não uma incapacidade. Olhe por cima do que você acha que seja uma limitação e veja o presente que o autismo me deu.
 Talvez seja verdade que eu não seja bom no contato olho-no-olho e conversas, mas você notou que eu não minto, roubo em jogos, fofoco com as colegas de classe ou julgo outras pessoas?
 É verdade que eu não vou ser um Ronaldinho "Fenômeno" do futebol. Mas, com a minha capacidade de prestar atenção e de concentração no que me interesso, eu posso ser o próximo Einstein, Mozart ou Van Gogh (eles também tinham Autismo), uma possível resposta para Alzheimer, o enigma da vida extraterrestre, etc. - O que o futuro tem guardado para crianças autistas como eu, está no próprio futuro.
Tudo que eu posso ser não vai acontecer sem você sendo a minha Base. Pense sobre estas "regras" sociais e se elas não fazem sentido para mim, deixe de lado. Seja o meu protetor, seja o meu amigo e nós vamos ver até onde eu posso ir. 

CONTO COM VOCÊ!!!  

Fonte:http://www.autimismo.com.br


     Diversos teóricos já abordaram a importância do corpo e do movimento na infância, não só para o desenvolvimento motor, mas, sobretudo, para o desenvolvimento global, considerando todos os aspectos da vida humana, dentre eles o afetivo, o cognitivo e o social. 

     Vivemos numa sociedade dinâmica que requer de todos nós, diariamente, atitudes seguras e ações provenientes de escolhas e decisões conscientes e autônomas. Requer, também, a necessidade de lidarmos com situações imprevisíveis que demandam uma grande capacidade de adaptação e criatividade. No entanto, tais habilidades não se desenvolvem da noite para o dia, num estalar de dedos. Tais capacidades e habilidades resultam de processos pedagógicos e experiências que estimulem o seu desenvolvimento em condições ideais e satisfatórias. 

   No âmbito da Educação Infantil, lamentavelmente, muitas escolas, de forma ingênua, ao transformarem o processo pedagógico destinados às crianças em mera escolarização, acabam por suprimir um elemento de fundamental importância não só para o seu desenvolvimento presente como para o futuro, amputando capacidades, habilidades e competências que afetarão suas vidas e limitarão o desenvolvimento de suas potencialidades humanas, em diferentes aspectos. 

     Trabalhar o corpo e o movimento como instrumentos de inclusão social, pressupõe o respeito, em primeiro lugar, à criança. Importante destacar que aqui estamos nos referindo a todas as crianças que possuem o direito constitucional ao desenvolvimento de todas as suas potencialidades através da educação infantil, independente das limitações que possam apresentar. 

     No vídeo a seguir, o doutor em educação física, Marco Santoro nos fala sobre corpo e o movimento nas instituições escolares, sua importância e relevância para o desenvolvimento global do indivíduo, numa abordagem primorosa.Adorei e espero que vocês, também. 

      Estamos iniciando um novo ano letivo, certamente repleto de muitos desafios. Lembrando que a superação de cada desafio promove ao mesmo tempo, crescimento tanto profissional quanto pessoal. Portanto, que venham os desafios! 

      UM FELIZ ANO ESCOLAR A TODOS!!! Bjs!!! 




       Certo dia, uma mãe nos procurou na escola, em busca de matrícula para seu filho que segundo ela, tem autismo. Desejava saber se haviam critérios para a matrícula, considerando que se tratava de uma criança com autismo.

       Foi então que a lembramos que a criança com autismo é, antes de tudo, criança. Portanto, tem direito à matrícula em qualquer escola, seja pública ou privada. Se necessário caberá à escola promover toda a acessibilidade, visando a superação das barreiras atitudinais e metodológicas, de modo a garantir sua plena inclusão.

      Após, garantir à mãe que seu filho seria bem atendido, pois a escola já tem experiência no atendimento à crianças com autismo, cujo desenvolvimento e superação de suas limitações foram surpreendentes. No lugar da preocupação inicial, surgiu um sorriso nos lábios e a expressão de alívio que foram expressas em suas palavras: "Sim, eu acredito que meu filho será bem atendido, aqui."


Crianças do CMEI numa aula-passeio pelos pontos turísticos de Manaus.
        É preciso entender que para os pais de crianças com deficiência o sentimento de superproteção é mais forte, porque seus filhos são mais vulneráveis em função das limitações que apresentam. E, lamentavelmente, nem todas as escolas estão preparadas para atendê-los. Isso, no entanto, não é justificativa. Já que é possível a cada um buscar esta qualificação. O mundo é dinâmico e os desafios devem ser vistos como motivação para o nosso crescimento, tanto pessoal quanto profissional. Quanto a aceitação do outro, do diferente, cada um prestará contas a Deus. O preconceito é inaceitável, venha de onde vier. 

      A melhor terapia para uma criança com autismo é aquela na qual promovemos sua inserção social através da convivência com seus pares. No Cmei Dierdre Gama Machado em Manaus/AM, as crianças que apresentam algum tipo de deficiência foram muito bem acolhidas por suas professoras. E, nos orgulhamos muito destas profissionais. Peço licença para parabenizar as professoras: Claudia Ferreira, Elenilde Mota Cabral , Simone Frazao e Clicce, pelo excelente trabalho que desenvolvem em prol da inclusão social e escolar de nossas crianças.


Paulinho na aula-passeio pela Ponta Negra em Manaus/AM.


       A socialização de Paulinho através da escola é a mais evidente prova de que a melhor terapia para uma criança com autismo é aquela que promove sua inserção social, com muito respeito e responsabilidade. Que nossas escolas possam tomar consciência da enorme relevância deste trabalho em prol de uma sociedade mais humana e justa para todos. Pois, incluir não é nenhum favor, mas, sobretudo., um dever moral e ético.  FELIZ NATAL!!!!

Paulinho com os amigos, feliz da vida!!!








       Recentemente, vasculhando na internet,  tive a felicidade de encontrar e assistir ao filme: MEU FILHO, MEU MUNDO. Trata-se da história real do casal  Neil Kaufman e  Samahria Kaufman, e sua experiência com o autismo.


     O filme nos mostra, sobretudo, a força e determinação desses pais que não se deixaram vencer pelo autismo. Eles o venceram.  A partir de um programa pedagógico,  criado de forma intuitiva, denominado Son- Rise, eles conseguiram curar o filho, que hoje dirige a “The Autism treatment center of  América”. Uma organização que já treinou milhares de pais e mães de vários países, dando-lhes aquilo que lhes haviam tirado, após um diagnóstico de Autismo: ESPERANÇA
.


    
      Neil Kaufman e Samahria Kaufman não se conformaram com os prognósticos dados pela classe médica ao filho,  que nos primeiros anos de vida foi diagnosticado com autismo severo, apresentando, ainda, um QI abaixo de 30.


     Um prognóstico é, antes de tudo, um juízo médico  antecipado baseado em diagnóstico. Uma previsão ou “profecia” do que os pais de uma criança com autismo devem esperar de seu filho. E, geralmente, os prognósticos são sempre desalentadores e pessimistas para estes casos.


     No entanto o casal Kaufman se negou a aceitá-lo. Eles acreditavam na possibilidade de cura e superação,  e isso o filme mostra com maestria.


O Método Son-Rise



     Fazendo uma análise pedagógica do Programa Son- Rise  é possível identificá-lo em vários aspectos com as teorias pedagógicas desenvolvidas por Vygotsky, cujo pensamento  coloca o processo de interação entre os sujeitos e o mundo  como a  base do desenvolvimento humano e da aprendizagem. 


     O casal Kaufman acreditava (e essa é a base do método) que a maior dificuldade da criança com autismo está na sua incapacidade de interação.  Sendo assim, todos os demais problemas advém desta dificuldade, como por exemplo a capacidade de comunicação. E, nisso, eles acertaram. Vygotsky defendia  a ideia de  que a aprendizagem move o desenvolvimento e não o contrário.

    Portanto, à medida que o sujeito passa a interagir com o mundo,  há como consequência o desenvolvimento de habilidade e capacidades humanas, dentre elas a linguagem.  Que no início é rudimentar e aos poucos vai se especializando, com a ampliação do repertório linguístico, que advém da expansão de suas experiências sociais, primeiramente com a mãe e aos poucos com outros pares e grupos sociais. O ser humano é um ser social. Portanto, a interação social é a base do seu desenvolvimento.




      Partindo desse pressuposto o programa  Son-Rise propõe que se promova  o máximo de interação com a criança, mas de um modo prazeroso e estimulante, tanto para esta quanto para seus pais. Afinal que graça tem interagir com alguém que não demonstra satisfação nessa interação?


     Para estes momentos lúdicos e de prazerosa interação, o casal criou em sua casa, no início da década de 70, o que denominaram de quarto do brinquedo. Um espaço específico para o desenvolvimento de atividades lúdicas com o filho que apresentava autismo. As atividades duraram por cerca de 3 anos, no fim dos quais a criança foi plenamente socializada.  A partir de então tal experiência passou a servir de referência de tratamento para crianças com autismo até dias atuais.


     O método do casal Kaufman demonstrou-se eficaz na cura do filho, apesar de todas as previsões  pessimistas da classe médica. Dizem que contra os fatos não existem argumentos. E o fato é que hoje o jovem Raun Kaufmam, filho do casal que criou o método Son Rise,  é  bem sucedido tanto no âmbito profissional quanto no pessoal. Graduou-se com honras em ética biomédica e, atualmente, dirige o centro de treinamento fundado por seus pais  em Massachusetts, nos EUA .


     O grande mérito do programa é devolver a esperanças aos pais de crianças e jovens com autismo. A partir daí superam-se crenças deterministas e equivocadas, assumindo-se  uma postura otimista em relação a esse transtorno.  “No Programa Son-Rise, a aceitação da pessoa com autismo, associada a uma atitude positiva – de entusiasmo e esperança – em relação ao potencial de desenvolvimento desta pessoa, são princípios básicos para o tratamento.”(Revista autismo/online)


     Pais de crianças com autismo devem acreditar, sobretudo, no infinito potencial de seus filhos, assumindo uma atitude  positiva diante da vida, de modo a promover com entusiasmo suas capacidades e habilidades tendo em vista sua inserção social. Tudo isso, com  grandes doses de afetividade e aceitação. Nós devemos isto às crianças e jovens com autismo.

Para saber mais, acesse:
http://www.autismtreatmentcenter.org/contents/languages/portuguese_version.php 



Imagens: Google






         
            Os pais geralmente contam que reconhecer que seu filho é autista foi a coisa mais traumática que já lhes aconteceu. As pessoas não autistas veem o Autismo como uma grande tragédia, e os pais experimentam um contínuo desapontamento e luto em todos os estágios do ciclo de vida da família e da criança.

Mas este pesar não diz respeito diretamente ao autismo da criança. É um luto pela perda da criança normal que os pais esperavam e desejavam ter, as expectativas e atitudes dos pais e as discrepâncias entre o que os pais esperam das crianças numa idade particular e o desenvolvimento atual de seu próprio filho causam mais estresse e angústia que as complexidades práticas da convivência com uma pessoa autista.
 Uma certa quantidade de dor é normal, até os pais se ajustarem ao fato de que o resultado e o relacionamento que eles estavam esperando não vai se materializar. Mas esta dor pela criança normal fantasiada precisa ser separada da percepção da criança que eles realmente têm.
A criança autista que precisa de adultos cuidadosos, pode obter um relacionamento muito significativo com essas pessoas que cuidam dela, se lhes for dada a oportunidade. Atentar continuamente para o Autismo da criança como a origem da dor é prejudicial tanto para os pais como para a criança e impede o desenvolvimento de uma aceitação e de um relacionamento autêntico entre eles. Em consideração a eles próprios ou à suas crianças, eu conclamo os pais a fazerem mudanças radicais nas suas opiniões sobre o que o Autismo significa.
Eu convido vocês a olharem para o nosso autismo e olharem para o seu luto sob a nossa perspectiva .
O Autismo não é um apêndice. O autismo não é algo que uma pessoa tenha, ou uma concha na qual ela esteja presa. Não há nenhuma criança normal escondida por trás do Autismo. O Autismo é um jeito de ser, é pervasivo, colore toda experiência, toda sensação, percepção, pensamento, emoção e encontro; todos os aspectos da existência. Não é possível separar o Autismo da pessoa. E se o fosse, a pessoa que você deixaria não seria a mesma com a qual você começou.
Isto é importante, então, tire um momento para considerar que : Autismo é um jeito de ser. Não é possível separar a pessoa do Autismo.
Por conseguinte, quando os pais dizem: "Gostaria que meu filho não tivesse Autismo". O que eles realmente estão dizendo é: "Gostaria que meu filho autista não existisse, e eu tivesse uma criança diferente em seu lugar".
Leia isto novamente. Isto é o que ouvimos quando vocês lamentam por nossa existência. É o que percebemos quando vocês nos falam de suas mais tenras esperanças e sonhos para nós: que seu maior desejo é que, um dia, nós deixemos de ser, e os estranhos que vocês possam amar vão surgir detrás de nós.
Autismo não é uma parede impenetrável.
Você tenta falar com seu filho autista e ele não responde. Ele não te vê. Você não consegue alcançá-lo. Não há adentramento. É a coisa mais difícil de lidar, não é? A única coisa é que isso não é verdade.
Veja novamente: você tenta falar como pai de uma criança, usando seu próprio entendimento de uma criança normal, seus próprios sentimentos sobre relacionamentos. E a criança não responde de forma que você possa reconhecer como sendo parte desse sistema.
Isso não significa que a criança esteja totalmente incapacitada para se relacionar. Só significa que você está assumindo um sistema compartilhado, um entendimento compartilhado de sinais e significações do qual a criança em questão não participa.
É como se você tentasse ter uma conversa íntima com uma pessoa que não tem compreensão de sua linguagem. É óbvio que a pessoa cuja linguagem não vai entender o que você está falando; não vai responder da forma que você espera; e pode mesmo achar confusa e desprazeirosa toda a interação.
Dá mais trabalho se comunicar com uma pessoa cuja linguagem não é a nossa. E o Autismo vai mais fundo que a linguagem e a cultura. Os autistas são estrangeiros em quaisquer sociedades. Você vai ter que abrir mão de toda a sua apropriação de significados compartilhados. Você vai ter que aprender a voltar a níveis mais básicos, sobre os quais provavelmente você nunca tenha pensado, vai ter que abandonar a certeza de estar em seu próprio território familiar de conhecimento, do qual você está a serviço e deixar seu filho lhe ensinar um pouco de sua linguagem, guiá-lo um pouco para dentro de seu mundo.
Mesmo que você tenha sucesso, ainda não será um relacionamento normal entre pai e filho. Sua criança autista pode aprender a falar, pode ir para séries regulares na escola, pode ir à Universidade, dirigir um carro, viver independentemente, ter uma carreira, mas nunca vai conversar com você como outras crianças conversam com seus pais. Ou, sua criança autista pode nunca falar, pode passar de uma sala de educação para programas de oficina protegida, ou residências especiais, podem precisar por toda a vida de cuidado e supervisão de tempo integral - mas essa tarefa não está completamente fora do seu alcance. As formas que relatamos aqui são diferentes. Levam para coisas que suas expectativas dizem que são normais, e você vai encontrar frustração, desapontamento, ressentimento, talvez até raiva e ódio. Aproxime-se respeitavelmente, sem preconceitos e com abertura para aprender novas coisas, e você vais encontrar um mundo que nunca poderia ter imaginado.
Sim, isto dá mais trabalho que falar com uma pessoa não autista. Mas pode ser feito - a não ser que as pessoas não autistas estejam muito mais limitadas que nós em sua capacidade de se relacionar. Levamos a vida inteira fazendo isso. Cada um de nós que aprende a falar com vocês, cada um de nós que funciona bem na sua sociedade, cada um de nós que consegue alcançar e fazer um contato com vocês está operando em um território estranho, fazendo contato com seres alienígenas. Passamos a nossa vida inteira fazendo isso. E então, vocês vêm nos dizer que não podemos falar.
Autismo não é morte.
Certo, o autismo não é o que muitos pais esperam e se preparam quando antecipam a chegada de uma criança. O que esperam é que uma criança vai parecer com eles, vai pertencer ao seu mundo e falar com eles sem um treinamento intensivo para um contato alienígena. Até se a criança tem alguns distúrbios diferentes do Autismo, os pais esperam estarem aptos a falarem com ela de modo que pareça normal para eles, e na maioria dos casos, mesmo considerando a variedade de distúrbios, é possível formar um tipo de laço que os pais têm estado almejando.
O que acontece é que se esperava uma coisa que era extremamente importante e desejada com grande contentamento e excitação, e talvez, gradualmente, talvez abruptamente, teve-se de reconhecer que a coisa almejada não aconteceu. Nem vai acontecer. Não importa quantas crianças normais você tenha, nada vai mudar o fato de que agora, a criança que você esperava, desejada, planejada e sonhada, não chegou .
É parecido com a experiência parental de ter, por pouco tempo, uma criança recém-nascida e esta morrer logo na infância.
 Não se trata de Autismo, mas de expectativas cortadas. Sugiro que o melhor lugar para direcionar estes assuntos não seja as organizações voltadas para o Autismo, mas no aconselhamento das aflições parentais e grupos de apoio. Nesses espaços eles aprendem a dar termo à sua perda - não esquecê-la, mas deixar no passado, onde o luto não bate mais no seu rosto a todo o momento da vida. Aprendem a aceitar que sua criança se foi para sempre e que não voltará mais. O mais importante é que aprendam a não trazer seu luto para as crianças que vivem. Isto é de importância fundamental, quando estas crianças chegam ao mesmo tempo em que a outra está sendo lamentada pela sua morte.
Não se perde uma criança para o Autismo. Perde-se uma criança porque a que se esperou nunca chegou a existir. Isso não é culpa da criança autista que, realmente, existe e não deve ser o nosso fardo.
Nós precisamos e merecemos famílias que possam nos ver e valorizar por nós mesmos, e não famílias que têm uma visão obscurecida sobre nós por fantasmas de uma criança que nunca viveu.
Chore por seus próprios sonhos perdidos se você precisa. Mas não chore por nós. Estamos vivos. Somos reais. Estamos aqui esperando por  você .
É o que acho sobre como as sociedades sobre autismo devem ser: sem lamentações sobre o que nunca houve, mas deve haver explorações sobre o que é. Precisamos de você. Precisamos de sua ajuda e entendimento. Seu mundo não está muito aberto para nós e não conseguiremos se não tivermos um forte apoio.
Sim, o que vem com o Autismo é uma tragédia: não pelo que somos, mas pelas coisas que acontecem conosco. Fique triste com isso se quiser ficar triste com alguma coisa! Melhor que ficar triste com isso é ficar louco com isso - e então faça alguma coisa. A tragédia não é porque estamos aqui, mas porque o seu mundo não tem lugar para que nós existamos.
Como pode ser de outra forma,               se nossos próprios pais ainda se lamentam por nos terem trazido para este mundo ?
Olhe, alguma vez, para o seu filho autista e tire um momento para dizer para si mesmo quem aquela criança não é.
Pense: "Essa não é a criança que esperei e planejei. Não é aquela que fiz todos aqueles planos e dividi todas aquelas experiências. Aquela criança nunca veio. Não é esta criança". Então vá fazer do seu luto, não importa o que - e comece a aprender a deixar as coisas acontecerem.
Depois que você começar a deixar as coisas acontecerem, volte e olhe para o seu filho autista novamente: "Esta criança não é a que eu esperava e planejava. É uma criança alienígena que caiu em minha vida por acidente. Não sei o que é essa criança ou o que vai ser. Mas sei que é uma criança naufragada num mundo estranho, sem pais com formas próprias de cuidado. Precisa de alguém com cuidados para isso, para ensinar, para interpretar e para defender. E devido a essa criança alienígena cair na minha vida, esse trabalho é meu, se eu quiser”.
Se esta busca te excita, então nos acompanhe, na resistência e na determinação, na esperança e na alegria. A aventura de uma vida está toda diante de você.

JIM SINCLAIR.
Sobre o autor:
Jim Sinclair foi diagnosticado com autismo, atualmente, é um ativista dos direitos de pessoas com autismo.  Nasceu em dezembro de 1961, no Texas, EUA. Tem formação universitária em psicologia e é especialista em desenvolvimento infantil e processos de reabilitação. Na década de 90, participou da criação de um dos primeiros grupos formados por autistas, a Autism Network International (ani.autistics.org). O discurso acima foi dirigido especialmente aos pais, na Conferência Internacional de Autismo, em Toronto.
 






Fonte: johannaterapeutaocupacional.blogspot

O desenvolvimento humano carece de um processamento adequado das informações que nos chegam através dos sentidos (tato, olfato, visão, audição, paladar, sistema vestibular e proprioceptivo). A integração dos múltiplos sentidos nos permite uma representação coerente do mundo, de modo sistemático e organizado.

Pessoas que se encontram dentro do espectro autista apresentam algum tipo de desconforto ou transtorno sensorial, em menor ou maior grau. O que em cada sujeito vai se manifestar de um modo particular. Conhecer esse aspecto do transtorno nos permitirá usar as estratégias adequadas de modo a promover, além do bem estar, o desenvolvimento e a aprendizagem de crianças com autismo.

“Algumas crianças são hipersensíveis quanto à recepção de informações sensoriais. Por exemplo, crianças relatam serem capazes de ouvir conversas ou o som de móveis sendo arrastados em outros prédios. Outras crianças são tão sensíveis ao estímulo táctil (toque) que não toleram a sensação da etiqueta em suas camisetas. Por outro lado, algumas crianças aparentam ser hipossensíveis a estímulos sensoriais, ou seja, são pouco sensíveis e necessitam de uma maior intensidade de estímulo para que este seja percebido. Como exemplo, algumas crianças buscam a sensação de intensa pressão ao serem massageadas ou ao serem firmemente enroladas em pesados cobertores. Pesquisadores com Judith Bluestone (Instituto HANDLE, em Seattle, EUA), apontam para a possibilidade da hiposensibilidade ser na verdade uma hipersensibilidade ao extremo, o que levaria a pessoa a bloquear totalmente uma determinada sensação.”(http://www.inspiradospeloautismo.com.br/o-que-e-autismo/integracao-sensorial-para-autismo)

Fonte: http://johannaterapeutaocupacional.blogspot.com.br/2010/10/processamento-sensorial.html



TÉCNICAS DE ACOMODAÇÃO SENSORIAL ÚTEIS PARA O DIA-A-DIA


          Acomodação proprioceptiva - Ofereça lugares pequenos e aconchegantes para a criança como casinhas de boneca, cabanas, ou até mesmo caixas grandes. Um cantinho cheio de almofadas, um puff grande, colchão ou foutton também servem. 

Use coletes pesados, cobertores pesados, cobertas mais pesadas para oferecer momentos de tranquilidade e calma.

 Um saco de dormir ajuda a acalmar.  Integre a criança nas atividades pesadas da casa: carregar as compras, colocar o lixo            pra fora, pendurar roupa no varal, guardar roupas, arrumar compras no armário, molhar plantas com um regador pesado.

Acomodação auditiva - Use objetos como tapetes, cortinas e almofadas para absorver o ruído exterior e o eco.  Crianças com ouvidos muito sensíveis devem ter seu quarto posicionado no local mais calmo da casa. Cuidado com sons altos de telefone, campainha, televisão e rádio. 

Acomodação visual - Use cortinas grossas ou blackouts para diminuir a intensidade da luz          natural ou artificial vinda do exterior da casa. Minimize a bagunça visual guardando a maioria dos brinquedos em caixas. Dê atenção especial para a iluminação da casa com quantidade e intensidade adequada. Use abajoures ou luzes refletidas na parede se a iluminação for um grande problema. Pinte as paredes com cores suaves e evite muitos objetos ou quadros. Se a sua criança ao contrário, precisar de muito estímulo, pinte o seu quartos com cores claras e vibrantes e pendure alguns móbiles. Acomodação visual. Tenha um armário específico para os brinquedos e organizados de forma fácil para você e ele.

         Acomodação visual e auditiva - Diminua o estímulo visual e auditivo para prevenir distrações. 
                Acomodação motora - Use timers para sinalizar o início e final de uma atividade.
           
              Acomodação vestibular - Pendure uma rede ou balanço em algum lugar tranquilo da casa ou coloque um balanço no jardim.

             Acomodação vestibular e proprioceptiva - Um colchão d'água ou colchão de ar pode ser tranquilizante.


Outras estratégias para estruturar a rotina diária:

- Use pistas visuais para ajudar no cumprimento de tarefas.

- Use uma agenda ou quadro de tarefas para informar o que vai acontecer a cada dia (com imagens ou foto da própria criança realizando a atividade).

- Quebre a atividade em pequenos passos para facilitar o entendimento e dê tempo para que ela processe a informação.

 Ex: ao invés de dizer: pegue as roupas e coloque no cesto, dê a 1ª ordem e somente depois dela pegar as roupas é que você pede para colocá-las no cesto.

- Estabeleça rotinas e cumpra-as. Isto ajuda a criança a saber o que virá pela frente e a manterá calma. Quando é necessário haver quebra na rotina, avise-a antes e dê as pistas visuais.

- Prepare o dia da escola na noite anterior: separe a roupa, sapatos e lanche com antecedência para poupar tempo e evitar estresse.

- Se a sua criança não atende pelo nome, use o toque para ajudá-la.

- Sempre que possível use pistas visuais para tudo.

- Aprecie a companhia um do outro!!!

Fonte: http://claumarcelino.blogspot.com.br/2011/10/acomodacoes-sensoriais-para-o-ambiente


           A experiência escolar para qualquer criança é cercada de muitos desafios. Especialmente para as que convivem com limitações, sejam elas neuromotoras, físicas, sensoriais, neurobiológicas ou de natureza comportamental. 


Aula passeio no Teatro Amazonas/2013
          Crianças com TEA (transtorno do espectro autista) são crianças que também necessitam de encorajamento. No trabalho clínico realizado com estas crianças é visível como o encorajamento tem o poder de alavancar o seu desenvolvimento. 

          Toda a atividade que a criança consegue completar é comemorada, com palmas ou elogios ao seu desempenho. Percebemos que este gesto deixa as crianças mais autoconfiantes. Estas passam a acreditar mais em suas capacidades e sentem-se mais dispostas a iniciar qualquer atividade, porque se sentem seguras de si.

Aula passeio: uma aula diferente e prazerosa
          Por outro lado, precisamos ter consciência do poder de nossas atitudes. Nossas crianças percebem quando acreditamos em suas capacidades; isso lhes dá segurança para tentar. Pois sabem que contarão com nosso apoio e afeto. 

          Educar crianças exige sensibilidade, paciência e persistência.

Ser crianças é ser feliz

          Muitos educadores desistem logo no início. Não se sentem desafiados a tentar de outra forma; e quantas vezes forem necessárias. Se uma estratégia não está dando certo, precisamos repensá-las. Como também, outras formas de estimular nossas crianças devem ser testadas. Às vezes, são nessas tentativas e na pesquisa que encontramos a resposta. A nossa persistência irá contaminá-las. Elas perceberão que vale a pena continuar insistindo.

          Tenho na clínica um pote com confeitos coloridos e os utilizo, também, para encorajar as crianças e parabenizá-las pelo esforço. Eles são em formato de coração. E, sempre que concluem toda a atividade recebem um ou mais, e ficam muito satisfeitas e felizes. É fato que existem as que não gostam, mas só de saber que o mereceram ficam bastante felizes.

Ensina a criança no caminho em que deve andar e jamais se desviará dele.
           
          No trabalho diário, seja na clínica ou na escola, não estamos apenas encorajando nossas crianças a melhorar o desempenho escolar. Estamos ao mesmo tempo incutindo-lhes valores e princípios que farão parte de sua personalidade. É possível que haja mais acréscimos e ganhos em termos emocionais do que, propriamente, cognitivos. O que podemos mensurar pela mudança de comportamento, a partir da aquisição de valores éticos e morais. Um aspecto que considero o mais relevante de todos.  Pois os prepara para a vida e os desafios que esta esconde.

Na criança reside o germe da humanidade.

          Sabemos da violência que ainda existe no ambiente escolar e que se manifesta através do bullying. Nossas crianças com deficiência são, na maioria das escolas, vítimas deste mal. Possivelmente, se nos preocupássemos mais com a formação dos valores morais no sujeito, veríamos surgir um ambiente mais acolhedor e tolerante para todos.
           
        Portanto, incentivar e encorajar atitudes éticas e morais são de extrema relevância, se pretendemos construir, através da educação, uma sociedade mais humana e solidária.

Sobre pesquisa realizada a respeito do poder do elogio basta acessar em: .http://www.justrealmoms.com.br/elogie-seu-filho-do-jeito-certo/

Uma ótima leitura,
Beijos!!!




          O desenvolvimento humano é um processo contínuo. Tem início no nascimento e se prolonga por toda a vida. Um processo que nem sempre é linear e ocorre em vários campos da existência humana, ou seja, nos campos: afetivo, social, cognitivo e motor, dentre outros. 

Contação de história no powerpoint - EAMAAR/Manaus - AM

          Destacando que tal processo não é meramente biológico, mas, sobretudo, social e histórico. Já que o ambiente cultural no qual está inserido o sujeito é fortemente decisivo no percurso do seu desenvolvimento. Em crianças que apresentam o TEA (transtorno do espectro autista) a influência do ambiente social determinará o êxito no desenvolvimento de suas habilidades e competências, dependendo da qualidade das intervenções realizadas, tanto no espaço clínico quanto institucional


Estímulo visando a aquisição da linguagem escrita

           Tendo em vista as perturbações causadas pelo autismo, crianças com TEA apresentarão peculiaridades em seu desenvolvimento fugindo aos padrões e características de desenvolvimento identificadas em crianças que não apresentam o transtorno. 

             Crianças com autismo podem apresentar mutismo, ou seja, ausência de fala, embora sejam capazes de escutar e se expressar de outras formas. Podem apresentar, também, atraso no desenvolvimento motor. Como também, podem inicialmente desenvolver a fala e por razões desconhecidas deixam de falar, subitamente. Algumas apresentam um desenvolvimento motor atípico. Desenvolvendo estereotipias, como andar nas pontas dos pés, rodopiar, balançar as mãos, pular, balançar o tronco, há os que se fixam em objetos giratórios. Movimentos que, provavelmente, produzem um alívio gerado por algum tipo de desconforto.


Desenvolvimento da coordenação motora e letra cursiva

              O atendimento psicopedagógico levará em conta àquelas características que de alguma forma podem afetar o processo de aprendizagem do sujeito com autismo, assim como, o seu desenvolvimento global. 

                Para tanto, as intervenções deverão priorizar a melhora do conjunto de sintomas do autismo, considerando as áreas afetadas, tais como a comunicação e a linguagem, considerando que as dificuldades de linguagem interferem significativamente na comunicação social e, consequentemente, no desempenho escolar.

Estimulando o desenvolvimento das percepções e atenção.

            Outro aspecto importante refere-se à melhora na capacidade de interação social. De modo que a criança com autismo deve ser, constantemente, estimulada a interagir, de modo a estabelecer com seus pares trocas sociais e afetivas.

             O processo de inclusão educacional deve, portanto, considerar a importância do engajamento destas crianças no ambiente escolar, envolvendo-a na dinâmica educativa, evitando-se com isso a segregação e o isolamento social. 


Desenvolvendo o senso estético e a motricidade.

         No entanto, a oferta de estímulos deve considerar, inicialmente, os interesses e até certas fixações por determinadas atividades e/ou objetos como ponto de partida para o desenvolvimento de sua aprendizagem, sendo que, gradativamente, deve-se buscar ampliar o seu leque de interesses, de modo a enriquecer suas experiências, promovendo o desenvolvimento de novas competências e habilidades, tanto no âmbito escolar como no clínico. 

            Lembrando sempre, que estas crianças necessitam de uma rotina pedagógica e doméstica bem estruturada e previsível. Com objetivos claros e bem definidos.Sempre na perspectiva de promover ao máximo o seu engajamento social e afetivo, tendo em vista o seu desenvolvimento pleno, apesar de suas limitações.



Imagem do pôr do Sol na Ponta Negra em Manaus/AM

          Trabalhar no atendimento à crianças e adolescentes com autismo é, simplesmente, uma grande viagem. É navegar por mares nunca dantes navegados, ao sabor do inesperado, do que é misterioso e, igualmente, encantador e prazeroso. Por isso, peço licença para citar Martha Medeiros, que traduz o que significa para mim esta viagem:
 
       “ Viajar é transportar-se sem muita bagagem para melhor receber o que as andanças têm a oferecer (...) é despir-se de si mesmo, dos hábitos cotidianos, das realidades previsíveis, da rotina imutável, e renascer virgem e curioso, aberto ao que lhe vai ser ensinado (...) Viajar é olhar para dentro e desmascarar-se (...) Viajar requer liberdade para arriscar (...) Viajando você é reinventado (...) Sair de casa é a oportunidade de sermos estrangeiros e independentes, e essa é a chave para aniquilar tabus. A maioria de nossos medos é herdada. Viajando é que descobrimos nossa coragem e atrevimento, nosso instinto de sobrevivência e conhecimento. Viajar minimiza preconceitos.” 


Obra de arte de uma criança com autismo com peças de tangran


       




                 Atualmente, um dos aspectos que considero mais polêmico no que se refere ao Autismo são as questões relacionadas ao seu diagnóstico. Sabemos que pelo fato de não existirem marcadores biológicos, o diagnóstico é clinico e se baseia na observação do comportamento, aliado ao histórico familiar.
                  A atual referência para o diagnóstico é o DSM  V, que destaca dois critérios básicos para o diagnóstico:
                  1)  Déficits na comunicação e interação social;
                  2)  Atividades e comportamentos restritos e repetitivos; 

          E, de acordo com a literatura, esse diagnóstico deve ser realizado por uma Equipe Multidisciplinar.

          No entanto, é justamente aqui que se iniciam as polêmicas. Considerando que muitos profissionais estão diagnosticando, apressadamente, num curto espaço de tempo, crianças e adolescentes, de modo equivocado. Baseando-se, muitas vezes, apenas, na queixa apresentada pelos pais, sem considerar a opinião de outros profissionais que também as atendem, em particular, pedagogos e psicopedagogos.

                 Como resultado deste equívoco, crianças que não apresentam as características acima, estão sendo diagnosticadas com Autismo, em muitos casos, quando apresentam  sinais de outros transtornos e/ou deficiências. Tendo, assim, suas vidas afetadas, considerando que estão deixando de receber o atendimento especializado do qual necessitam para se desenvolver de modo adequado, assim como, o suporte técnico e a atenção devida.

                      Alguns médicos pediatras, não se sabe se por falta de especialização, não são capazes de identificar os sinais que apontam para uma determinada deficiência, de modo que, precocemente,  as crianças possam ser assistidas no que se refere ao atendimento de suas demandas. 

                         A capacidade e a qualificação daqueles que trabalham no atendimento à pessoas com autismo e outras deficiências, resulta de muita convivência e empatia com este público. É mister desenvolver a sensibilidade do olhar e do sentir. É preciso não ser indiferente. 

                         É preciso, fundamentalmente, desenvolver a humildade para reconhecer suas próprias limitações, no sentindo de buscar conhecer mais sobre o assunto e estar aberto a um diálogo com profissionais que atuam em outras áreas, para que possamos buscar juntos respostas para as questões que nos inquietam e que, ainda, são para nós um enigma. 
                          
                        À medida que aumenta o compromisso com este público no sentido de lhes oferecer através do atendimento de suas demandas uma qualidade de vida melhor, estaremos mais aptos a fazer por eles o que deve ser feito de modo a lhes garantir o direito à vida e a dignidade humana.



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Ellen Nottohm
(tradução livre - Andréa Simon) 
  
1) Antes de tudo eu sou uma criança. 
 
Eu tenho Autismo. Eu não sou somente "Autista". O meu autismo é só um aspecto do meu carácter. Não me define como pessoa. Você é uma pessoa com pensamentos, sentimentos e talentos. Ou você é somente gordo, magro, alto, baixo, míope. Talvez estas sejam algumas coisas que eu perceba quando conhecer você, mas isso não é necessariamente o que você é. Sendo um adulto, você tem algum controle de como se auto define. Se quer excluir uma característica, pode se expressar de maneira diferente. Sendo criança eu ainda estou descobrindo. Nem você ou eu podemos saber do que eu sou capaz. Definir-me somente por uma característica, acaba-se correndo o risco de manter expectativas que serão pequenas para mim. E se eu sinto que você acha que não posso fazer algo, a minha resposta naturalmente será: Para que tentar?





2) A minha percepção sensorial é desordenada.
Interação sensorial pode ser o aspecto mais difícil para se compreender o autismo. Quer dizer que sentidos ordinários como audição, olfato, paladar, toque, sensações que passam desapercebidas no seu dia-a-dia podem ser dolorosas para mim. O ambiente em que eu vivo pode ser hostil para mim.
Eu posso parecer distraído ou em outro planeta, mas eu só estou tentando me defender. Vou explicar o porquê uma simples ida ao mercado pode ser um inferno para mim: a minha audição pode ser muito sensível. Muitas pessoas podem estar falando ao mesmo tempo, música, anúncios, barulho da caixa registradora, telemóveis tocando, crianças chorando, pessoas tossindo, luzes fluorescentes. O meu cérebro não pode assimilar todas estas informações, provocando em mim uma perda de controle.
O meu olfato pode ser muito sensível. O peixe que está à venda na peixaria não está fresco; a pessoa que está perto pode não ter tomado banho hoje; o bebê ao lado pode estar com uma fralda suja; o chão pode ter sido limpo com amônia. Eu não consigo separar os cheiros e começo a passar mal. Porque o meu sentido principal é o visual. Então, a visão pode ser o primeiro sentido a ser superestimulado. A luz fluorescente não é somente muito brilhante, ela pisca e pode fazer um barulho. O quarto parece pulsar e isso machuca os meus olhos. Esta pulsação da luz cobre tudo e distorce o que estou vendo. O espaço parece estar sempre mudando. Eu vejo um brilho na janela, são muitas coisas para que eu consiga me concentrar. O ventilador, as pessoas andando de um lado para o outro... Tudo isso afeta os meus sentidos e agora eu não sei onde o meu corpo está neste espaço. 




3) Por favor, lembre de distinguir entre não querer (eu não quero fazer) e eu não posso (eu não consigo fazer)
 Receber e expressar a linguagem e vocabulário pode ser muito difícil para mim. Não é que eu não escute as frases. É que eu não te compreendo. Quando você me chama do outro lado do quarto, isto é o que eu escuto "BBBFFFZZZZSWERSRTDSRDTYFDYT João". Ao invés disso, venha falar comigo diretamente com um vocabulário simples: "João, por  favor, coloque o seu livro na estante. Está na hora de almoçar". Isso me diz o que você quer que eu faça e o que vai acontecer depois. Assim é mais fácil para compreender. 
 
4) Eu sou um "pensador concreto" (CONCRETE THINKER).
O meu pensamento é concreto, não consigo fazer abstrações. Eu interpreto muito pouco o sentido oculto das palavras. É muito confuso para mim quando você diz "não enche o saco", quando o que você quer dizer é "não me aborreça". Não diga que "isso é moleza, é mamão com açúcar" quando não há nenhum  mamão com açúcar por perto e o que você quer dizer é que isso é algo fácil de fazer.
Gírias, piadas, duplas intenções, paráfrases, indiretas, sarcasmo eu não compreendo. 


5) Por favor, tenha paciência com o meu vocabulário limitado.
Dizer o que eu preciso é muito difícil para mim, quando não sei as palavras para descrever o que sinto. Posso estar com fome, frustrado, com medo e confuso, mas agora estas palavras estão além da minha capacidade, do que eu possa expressar. Por isso, preste atenção na linguagem do meu corpo (retração, agitação ou outros sinais de que algo está errado).
Por outro lado, posso parecer como um pequeno professor ou um artista de cinema dizendo palavras acima da minha capacidade na minha idade. Na verdade, são palavras que eu memorizei do mundo ao meu redor para compensar a minha deficiência na linguagem. Por que eu sei exatamente o que é esperado de mim como resposta quando alguém fala comigo. As palavras difíceis que de vez em quando falo pode vir de livros, TV, ou até mesmo serem palavras de outras pessoas. Isto é chamado de ECOLALIA. Não preciso compreender o contexto das palavras que estou usando. Eu só sei que devo dizer alguma coisa.
  
 6) Eu sou muito orientado visualmente porque a linguagem é muito difícil para mim.
Por favor, mostre-me como fazer alguma coisa ao invés de simplesmente me dizer. E, por favor, esteja preparado para me mostrar muitas vezes. Repetições consistentes ajudam-me a aprender. Um esquema visual ajuda-me durante o dia-a-dia. Alivia-me do stress de ter que lembrar o que vai acontecer. Ajuda-me a ter uma transição mais fácil entre uma atividade e outra. Ajuda-me a controlar o tempo, as minhas atividades e alcançar as suas expectativas. Eu não vou perder a necessidade de ter um esquema visual por estar crescendo. Mas o meu nível de representação pode mudar. Antes que eu possa ler, preciso de um esquema visual com fotografias ou desenhos simples. Com o meu crescimento, uma combinação de palavras e fotos pode ajudar mais tarde a conhecer as palavras. 

7)  Por favor, preste atenção e diga o que eu posso fazer ao invés de só dizer o que eu não posso fazer.
Como qualquer outro ser humano não posso aprender em um ambiente onde sempre me sinta inútil, que há algo errado comigo e que preciso de "CONSERTO". Para que tentar fazer alguma coisa nova quando sei que vou ser criticado?
 Procure identificar o meu potencial e você vai encontrar muitos! Terei mais que uma maneira para fazer as coisas. 


 8) Por favor, me ajude com as interações sociais.
Pode parecer que não quero brincar com as outras crianças no parque, mas algumas vezes simplesmente não sei como começar uma conversa ou entrar na brincadeira.
Se você pode encorajar outras crianças a me convidarem a jogar futebol ou brincar com carrinhos, talvez eu fique muito feliz por ser incluído. Eu sou melhor em brincadeiras que tenham atividades com estrutura começo-meio-fim.
Não sei como "LER" expressão facial, linguagem corporal ou emoções de outras pessoas. Agradeço se você me ensinar como devo responder socialmente. Exemplo: Se eu rir quando Sandra cair do escorrega não é que eu ache engraçado. É que eu não sei como agir socialmente. Ensine-me a dizer: "você esta bem?". 
 
 9) Tente encontrar o que provoca a minha perda de controle.
Perda de controle, "chilique", birra, má-criação, escândalo, como você quiser chamar, eles são mais horríveis para mim do que para você. Eles acontecem porque um ou mais dos meus sentidos foi estimulado ao extremo.
Se você conseguir descobrir o que causa a minha perda de controle, isso poderá ser prevenido - ou até evitado. Mantenha um diário de horas, lugares pessoas e atividades. Você encontrará uma sequência;  pode parecer difícil no começo, mas, com certeza, vai conseguir. Tente lembrar que todo comportamento é uma forma de comunicação. Isso dirá a você o que as minhas palavras não podem dizer: como eu sinto o meu ambiente e o que está acontecendo dentro dele. 

10) Se você é um membro da família me ame sem nenhuma condição.
Elimine pensamentos como  "Se ele pelo menos pudesse…" ou "Porque ele não pode…" Você não conseguiu atender a todas as expectativas que os seus pais tinham para você e você não gostaria de ser sempre lembrado disso. Eu não escolhi ser autista. Mas lembre-se que isto está acontecendo comigo e não com você. Sem a sua ajuda as minhas hipóteses de alcançar uma vida adulta digna serão pequenas. Com o seu suporte e guia, a possibilidade é maior do que você pensa. 
Atividade de intervenção pedagógica no EAMAAR (Manaus/AM)

Eu prometo: EU VALHO A PENA.
 
         E, finalmente, três palavras mágicas: Paciência, Paciência, Paciência. 
Ajude a ver o meu autismo como uma habilidade diferente e não uma incapacidade. Olhe por cima do que você acha que seja uma limitação e veja o presente que o autismo me deu.
 Talvez seja verdade que eu não seja bom no contato olho-no-olho e conversas, mas você notou que eu não minto, roubo em jogos, fofoco com as colegas de classe ou julgo outras pessoas?
 É verdade que eu não vou ser um Ronaldinho "Fenômeno" do futebol. Mas, com a minha capacidade de prestar atenção e de concentração no que me interesso, eu posso ser o próximo Einstein, Mozart ou Van Gogh (eles também tinham Autismo), uma possível resposta para Alzheimer, o enigma da vida extraterrestre, etc. - O que o futuro tem guardado para crianças autistas como eu, está no próprio futuro.
Tudo que eu posso ser não vai acontecer sem você sendo a minha Base. Pense sobre estas "regras" sociais e se elas não fazem sentido para mim, deixe de lado. Seja o meu protetor, seja o meu amigo e nós vamos ver até onde eu posso ir. 

CONTO COM VOCÊ!!!  

Fonte:http://www.autimismo.com.br


     Diversos teóricos já abordaram a importância do corpo e do movimento na infância, não só para o desenvolvimento motor, mas, sobretudo, para o desenvolvimento global, considerando todos os aspectos da vida humana, dentre eles o afetivo, o cognitivo e o social. 

     Vivemos numa sociedade dinâmica que requer de todos nós, diariamente, atitudes seguras e ações provenientes de escolhas e decisões conscientes e autônomas. Requer, também, a necessidade de lidarmos com situações imprevisíveis que demandam uma grande capacidade de adaptação e criatividade. No entanto, tais habilidades não se desenvolvem da noite para o dia, num estalar de dedos. Tais capacidades e habilidades resultam de processos pedagógicos e experiências que estimulem o seu desenvolvimento em condições ideais e satisfatórias. 

   No âmbito da Educação Infantil, lamentavelmente, muitas escolas, de forma ingênua, ao transformarem o processo pedagógico destinados às crianças em mera escolarização, acabam por suprimir um elemento de fundamental importância não só para o seu desenvolvimento presente como para o futuro, amputando capacidades, habilidades e competências que afetarão suas vidas e limitarão o desenvolvimento de suas potencialidades humanas, em diferentes aspectos. 

     Trabalhar o corpo e o movimento como instrumentos de inclusão social, pressupõe o respeito, em primeiro lugar, à criança. Importante destacar que aqui estamos nos referindo a todas as crianças que possuem o direito constitucional ao desenvolvimento de todas as suas potencialidades através da educação infantil, independente das limitações que possam apresentar. 

     No vídeo a seguir, o doutor em educação física, Marco Santoro nos fala sobre corpo e o movimento nas instituições escolares, sua importância e relevância para o desenvolvimento global do indivíduo, numa abordagem primorosa.Adorei e espero que vocês, também. 

      Estamos iniciando um novo ano letivo, certamente repleto de muitos desafios. Lembrando que a superação de cada desafio promove ao mesmo tempo, crescimento tanto profissional quanto pessoal. Portanto, que venham os desafios! 

      UM FELIZ ANO ESCOLAR A TODOS!!! Bjs!!! 




       Certo dia, uma mãe nos procurou na escola, em busca de matrícula para seu filho que segundo ela, tem autismo. Desejava saber se haviam critérios para a matrícula, considerando que se tratava de uma criança com autismo.

       Foi então que a lembramos que a criança com autismo é, antes de tudo, criança. Portanto, tem direito à matrícula em qualquer escola, seja pública ou privada. Se necessário caberá à escola promover toda a acessibilidade, visando a superação das barreiras atitudinais e metodológicas, de modo a garantir sua plena inclusão.

      Após, garantir à mãe que seu filho seria bem atendido, pois a escola já tem experiência no atendimento à crianças com autismo, cujo desenvolvimento e superação de suas limitações foram surpreendentes. No lugar da preocupação inicial, surgiu um sorriso nos lábios e a expressão de alívio que foram expressas em suas palavras: "Sim, eu acredito que meu filho será bem atendido, aqui."


Crianças do CMEI numa aula-passeio pelos pontos turísticos de Manaus.
        É preciso entender que para os pais de crianças com deficiência o sentimento de superproteção é mais forte, porque seus filhos são mais vulneráveis em função das limitações que apresentam. E, lamentavelmente, nem todas as escolas estão preparadas para atendê-los. Isso, no entanto, não é justificativa. Já que é possível a cada um buscar esta qualificação. O mundo é dinâmico e os desafios devem ser vistos como motivação para o nosso crescimento, tanto pessoal quanto profissional. Quanto a aceitação do outro, do diferente, cada um prestará contas a Deus. O preconceito é inaceitável, venha de onde vier. 

      A melhor terapia para uma criança com autismo é aquela na qual promovemos sua inserção social através da convivência com seus pares. No Cmei Dierdre Gama Machado em Manaus/AM, as crianças que apresentam algum tipo de deficiência foram muito bem acolhidas por suas professoras. E, nos orgulhamos muito destas profissionais. Peço licença para parabenizar as professoras: Claudia Ferreira, Elenilde Mota Cabral , Simone Frazao e Clicce, pelo excelente trabalho que desenvolvem em prol da inclusão social e escolar de nossas crianças.


Paulinho na aula-passeio pela Ponta Negra em Manaus/AM.


       A socialização de Paulinho através da escola é a mais evidente prova de que a melhor terapia para uma criança com autismo é aquela que promove sua inserção social, com muito respeito e responsabilidade. Que nossas escolas possam tomar consciência da enorme relevância deste trabalho em prol de uma sociedade mais humana e justa para todos. Pois, incluir não é nenhum favor, mas, sobretudo., um dever moral e ético.  FELIZ NATAL!!!!

Paulinho com os amigos, feliz da vida!!!








       Recentemente, vasculhando na internet,  tive a felicidade de encontrar e assistir ao filme: MEU FILHO, MEU MUNDO. Trata-se da história real do casal  Neil Kaufman e  Samahria Kaufman, e sua experiência com o autismo.


     O filme nos mostra, sobretudo, a força e determinação desses pais que não se deixaram vencer pelo autismo. Eles o venceram.  A partir de um programa pedagógico,  criado de forma intuitiva, denominado Son- Rise, eles conseguiram curar o filho, que hoje dirige a “The Autism treatment center of  América”. Uma organização que já treinou milhares de pais e mães de vários países, dando-lhes aquilo que lhes haviam tirado, após um diagnóstico de Autismo: ESPERANÇA
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      Neil Kaufman e Samahria Kaufman não se conformaram com os prognósticos dados pela classe médica ao filho,  que nos primeiros anos de vida foi diagnosticado com autismo severo, apresentando, ainda, um QI abaixo de 30.


     Um prognóstico é, antes de tudo, um juízo médico  antecipado baseado em diagnóstico. Uma previsão ou “profecia” do que os pais de uma criança com autismo devem esperar de seu filho. E, geralmente, os prognósticos são sempre desalentadores e pessimistas para estes casos.


     No entanto o casal Kaufman se negou a aceitá-lo. Eles acreditavam na possibilidade de cura e superação,  e isso o filme mostra com maestria.


O Método Son-Rise



     Fazendo uma análise pedagógica do Programa Son- Rise  é possível identificá-lo em vários aspectos com as teorias pedagógicas desenvolvidas por Vygotsky, cujo pensamento  coloca o processo de interação entre os sujeitos e o mundo  como a  base do desenvolvimento humano e da aprendizagem. 


     O casal Kaufman acreditava (e essa é a base do método) que a maior dificuldade da criança com autismo está na sua incapacidade de interação.  Sendo assim, todos os demais problemas advém desta dificuldade, como por exemplo a capacidade de comunicação. E, nisso, eles acertaram. Vygotsky defendia  a ideia de  que a aprendizagem move o desenvolvimento e não o contrário.

    Portanto, à medida que o sujeito passa a interagir com o mundo,  há como consequência o desenvolvimento de habilidade e capacidades humanas, dentre elas a linguagem.  Que no início é rudimentar e aos poucos vai se especializando, com a ampliação do repertório linguístico, que advém da expansão de suas experiências sociais, primeiramente com a mãe e aos poucos com outros pares e grupos sociais. O ser humano é um ser social. Portanto, a interação social é a base do seu desenvolvimento.




      Partindo desse pressuposto o programa  Son-Rise propõe que se promova  o máximo de interação com a criança, mas de um modo prazeroso e estimulante, tanto para esta quanto para seus pais. Afinal que graça tem interagir com alguém que não demonstra satisfação nessa interação?


     Para estes momentos lúdicos e de prazerosa interação, o casal criou em sua casa, no início da década de 70, o que denominaram de quarto do brinquedo. Um espaço específico para o desenvolvimento de atividades lúdicas com o filho que apresentava autismo. As atividades duraram por cerca de 3 anos, no fim dos quais a criança foi plenamente socializada.  A partir de então tal experiência passou a servir de referência de tratamento para crianças com autismo até dias atuais.


     O método do casal Kaufman demonstrou-se eficaz na cura do filho, apesar de todas as previsões  pessimistas da classe médica. Dizem que contra os fatos não existem argumentos. E o fato é que hoje o jovem Raun Kaufmam, filho do casal que criou o método Son Rise,  é  bem sucedido tanto no âmbito profissional quanto no pessoal. Graduou-se com honras em ética biomédica e, atualmente, dirige o centro de treinamento fundado por seus pais  em Massachusetts, nos EUA .


     O grande mérito do programa é devolver a esperanças aos pais de crianças e jovens com autismo. A partir daí superam-se crenças deterministas e equivocadas, assumindo-se  uma postura otimista em relação a esse transtorno.  “No Programa Son-Rise, a aceitação da pessoa com autismo, associada a uma atitude positiva – de entusiasmo e esperança – em relação ao potencial de desenvolvimento desta pessoa, são princípios básicos para o tratamento.”(Revista autismo/online)


     Pais de crianças com autismo devem acreditar, sobretudo, no infinito potencial de seus filhos, assumindo uma atitude  positiva diante da vida, de modo a promover com entusiasmo suas capacidades e habilidades tendo em vista sua inserção social. Tudo isso, com  grandes doses de afetividade e aceitação. Nós devemos isto às crianças e jovens com autismo.

Para saber mais, acesse:
http://www.autismtreatmentcenter.org/contents/languages/portuguese_version.php 



Imagens: Google






 
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